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Fatores de Risco

A Companhia está sujeita a diversos riscos resultantes de alterações das condições competitivas, econômicas, políticas, sociais e climáticas que podem prejudicar seus negócios, resultados de suas operações ou de sua situação financeira. Os riscos descritos abaixo, embora não sendo os únicos que a Companhia possa enfrentar, representam a totalidade dos riscos mais gravosos aos quais a Companhia está exposta.

1 – Relacionados à Companhia

A instabilidade das taxas de câmbio pode afetar adversamente a situação financeira, os resultados operacionais e a cotação das ações da Companhia.

Os custos de produção e despesas operacionais são em grande parte denominados em reais e a maior parte da receita e alguns ativos da Companhia são denominados em dólares norte-americanos. Além disso, 63% da dívida total, incluindo transações de swap, são denominados em dólares norte-americanos. Assim sendo, a instabilidade das taxas de câmbio pode afetar adversamente as condições financeiras, resultados e operações da Companhia e o total de dividendos que podem ser distribuídos aos seus acionistas.

Resultados desfavoráveis em litígios pendentes podem afetar negativamente os resultados operacionais, fluxos de caixa e situação financeira da Companhia.

A Companhia está envolvida em ações fiscais, civis e trabalhistas que envolvem indenizações monetárias significativas.

Se ocorrerem decisões desfavoráveis em um ou mais destes processos, a Companhia pode ser obrigada a pagar valores substanciais que podem afetar material e adversamente os resultados das operações, fluxos de caixa e situação financeira da Companhia.

Os contratos de financiamento da Companhia incluem restrições importantes (“covenants”). Qualquer inadimplência gerada a partir de violação destes contratos pode ter efeitos materiais adversos sobre as condições financeiras da Companhia, afetando, inclusive, o pagamento de dividendos.

A Companhia é contraparte em diversos contratos de financiamento, que exigem a manutenção de certos índices financeiros ou o cumprimento de outras cláusulas específicas. Os covenants e restrições, muito dos quais estão sujeitos a importantes exceções, incluem, dentre outros:

  • limitações na realização de determinados pagamentos restritos;
  • limitações à realização de certas transações com afiliadas;
  • limitações a fusões ou consolidações com terceiro ou venda ou qualquer alienação de todo ou parte substancial de nossos ativos;
  • a manutenção de um nível máximo do indicador dívida líquida sobre EBITDA (Lucro antes do pagamento de juros, impostos, depreciação e amortização); e
  • a manutenção de índices mínimos da cobertura do serviço da dívida.

Qualquer inadimplência dos termos dos contratos de financiamento, que não for aprovada pelos credores afetados, pode resultar em uma decisão por parte destes credores de antecipar o saldo em aberto da dívida relevante. Isto também pode resultar na execução das garantias e na aceleração do vencimento das dívidas de outros contratos de financiamento em virtude das provisões de cláusulas de inadimplência e aceleração cruzada (cross default and cross acceleration). Nesta hipótese, em caso de cross default e cross acceleration, os ativos e fluxos de caixa da Companhia podem ser insuficientes para pagar o saldo em aberto total destes contratos de financiamento, seja nas datas de vencimento agendadas ou na antecipação dos pagamentos após um evento de inadimplência. Se tais eventos ocorrerem, a situação financeira da Companhia poderá ser afetada adversamente.

Inadimplência sob os termos dos contratos de financiamento da Companhia pode resultar na sua incapacidade de pagar dividendos. Além disso, de acordo com seu estatuto social, a Companhia deve pagar aos seus acionistas 25% de seu lucro líquido anual ajustado como dividendo obrigatório. O lucro líquido pode ser capitalizado, utilizado para compensar uma perda ou mesmo retido, conforme previsto pela Lei 6.404/76, e, portanto, não ser disponibilizado para pagamento de dividendos. A Companhia pode optar por não pagar dividendos aos seus acionistas em seu ano fiscal, se a sua Administração recomendar, e se a assembleia geral de acionistas deliberar que tal pagamento seria desaconselhável, dada a situação financeira da Companhia naquele momento.

O endividamento consolidado da Companhia vai requerer que parte significativa de seu fluxo de caixa seja utilizada para o pagamento de principal e juros de dívidas.

Adicionalmente, o nível do endividamento pode causar alguns riscos aos acionistas, tais como:

  • o pagamento do serviço das dívidas pode dificultar o pagamento de proventos aos investidores;
  • o investimento na produção de celulose requer uma quantidade substancial de recursos para formação de florestas; ampliação da capacidade de produção; infraestrutura e preservação do meio ambiente. Esta necessidade de capital significativo é uma importante fonte de risco financeiro para a indústria de celulose. A capacidade da Companhia de obter qualquer financiamento futuro necessário para capital de giro, dispêndios de capital, requisitos do serviço da dívida ou para outros fins pode ser limitada;
  • uma parte substancial do fluxo de caixa das operações da Companhia deve ser destinada ao pagamento de principal e juros sobre o endividamento e pode não estar disponível para outros fins;
  • o nível de endividamento da Companhia pode limitar sua flexibilidade no planejamento ou a reação a mudanças no seu negócio, e
  • o nível de endividamento da Companhia pode torná-la mais vulnerável no caso de uma desaceleração em seus negócios.

Os negócios da Companhia podem sofrer impactos negativos pelos riscos relacionados às atividades de hedging.

A Companhia pode efetuar transações de hedging de moeda e juros, bem como por meio de contratos futuros, como opções e swaps, em conformidade com a sua política de gerenciamento de riscos de mercado. Operações de hedge visam, dentre outros, (1) proteger a receita da Companhia (que é principalmente expressa em dólares norte-americanos) quando convertidos para Reais (sua moeda funcional), (2) converter parte de sua dívida denominada em Reais para dólares norte-americanos; (3) a troca de taxa de juros variáveis da dívida da Companhia para taxa de juros fixas; e (4) troca da variação monetária da dívida da Companhia para taxas fixas.

A Companhia contabiliza seus instrumentos derivativos utilizando o método contábil de marcação a mercado (mark-to-market), em conformidade com o IFRS (International Financial Reporting Standards). O valor de marcação a mercado desses instrumentos pode aumentar ou diminuir devido a flutuações nas taxas de câmbio, de juros, dentre outros, antes da sua data de liquidação. Como resultado, a Companhia pode incorrer em perdas não realizadas devido aos riscos desses fatores de mercado.

Estas oscilações podem resultar, dentre outros fatores, de alterações nas condições econômicas, sentimento dos investidores, políticas monetárias e fiscais e na liquidez dos mercados mundiais, eventos políticos internacionais e regionais e atos de guerra ou terrorismo.

Caso a Companhia deixe de praticar operações de hedge na quantidade necessária, a Companhia poderá aumentar a sua exposição aos riscos aos preços das commodities, taxas de câmbio e de juros.

A redução na classificação de risco de crédito da Companhia pode afetar de modo adverso a disponibilidade de novos financiamentos e aumentar seu custo de capital.

Os ratings em escala global atualmente atribuídos à dívida da Companhia em moeda estrangeira são BBB-/Estável pela Fitch, BBB-/Negativo pela S&P e Baa3/Negativo pela Moody’s. Se suas classificações forem reduzidas pelas agências de rating devido a qualquer fator externo (que pode incluir um novo rebaixamento (downgrade) do rating soberano do Brasil), o desempenho operacional e financeiro da Companhia (incluindo o aumento dos níveis de dívida, custo de capital e a disponibilidade de financiamentos futuros) poderá ser negativamente afetado.

As flutuações nas taxas de juros podem aumentar o custo das dívidas e afetar negativamente o desempenho financeiro geral da Companhia.

Os resultados financeiros da Companhia são afetados por mudanças nas taxas de juros, como a Taxa Interbancária do Mercado de Londres (LIBOR), o Certificado de Depósito Interbancário do Brasil (CDI) e a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). A taxa CDI flutuou significativamente no passado em resposta à expansão ou contração da economia brasileira, a finalidade do controle da inflação, políticas do governo brasileiro e outros fatores.

Um aumento significativo nas taxas de juros, principalmente na TJLP, CDI, IPCA ou na LIBOR, teria um efeito negativo substancial sobre as despesas financeiras da Companhia já que grande parte de sua dívida (empréstimos do BNDES, Certificados de Recebíveis de Crédito do Agronegócio - CRA e Pré-Pagamento de Exportação) está indexada a estas taxas. Por outro lado, uma redução significativa na taxa CDI pode afetar negativamente a receita financeira gerada com suas atividades de investimento, já que uma parte relevante do capital da Companhia vem do mercado monetário Brasileiro, relacionado ao CDI.

A Companhia pode ser afetada material e adversamente se as operações da estrutura de transporte, armazenamento, distribuição e portos que possui, ou utiliza, passarem por interrupções significativas.

As operações da Companhia dependem da operação ininterrupta da estrutura de transporte, armazenamento, distribuição e portos que possui ou utiliza. As operações das instalações que a Companhia possui ou que utiliza para transportar, armazenar, distribuir e exportar seus produtos podem ser parcialmente ou totalmente interrompidas, temporária ou permanentemente, como consequência de inúmeras circunstâncias que não estão no controle da Companhia, tais como:

  • eventos catastróficos;
  • greves ou outras dificuldades trabalhistas;
  • dificuldades nos meios de transporte; e
  • suspensão ou encerramento das concessões dadas à Fibria, aos seus sócios comerciais ou empreiteiros independentes relacionados ao direito de prestação de um serviço específico.

Qualquer interrupção significativa nestas instalações, ou a incapacidade de transportar os produtos destas instalações (inclusive através de exportações), aos seus clientes, podem vir a causar impactos materiais adversos sobre a Companhia.

Novos projetos de expansão de concorrentes da Companhia que foram iniciados e outros que são esperados para os próximos anos podem afetar adversamente a competitividade da Companhia.

Concorrentes da Companhia concluíram uma nova unidade de produção de celulose na América do Sul e na Ásia. Uma demanda superior à esperada e alguns ajustes na base de fornecimento, com o fechamento de unidades de produção antigas e ineficientes, confirmaram os fundamentos de equilíbrio de mercado. Entretanto, é importante ressaltar que existe o risco de que a instalação de novas unidades de produção possa resultar na perda de participação de mercado pela Companhia, redução do preço da celulose e escassez de matéria-prima e, como consequência, um aumento de seu preço. Portanto, os resultados de operações e condição financeira da Companhia poderão ser adversamente afetados.

A Companhia pode não ser capaz de ajustar o volume de produção em tempo hábil ou custo-eficiente em resposta a mudanças na demanda.

Se a Companhia tiver que operar com capacidade ociosa significativa durante os períodos de demanda fraca, pode estar exposta a maior custo de produção, dado que uma parcela significativa de sua estrutura de custos é fixa no curto prazo devido à alta intensidade de capital das operações de celulose. Além disso, os esforços para reduzir os custos durante os períodos de fraca demanda podem ser limitados pela regulamentação do trabalho, ou contratos de trabalho e acordos governamentais prévios. Por outro lado, durante os períodos de alta demanda, a capacidade da Companhia de aumentar rapidamente a capacidade de produção é limitada, o que poderia tornar a Companhia incapaz de satisfazer a demanda pelos seus produtos. Se a Companhia não for capaz de satisfazer a demanda excedente de clientes, pode perder participação de mercado.

Impairment do ágio ou outros ativos intangíveis pode afetar de forma adversa a condição financeira e resultados operacionais.

Como resultado da aquisição da Aracruz, a Companhia reconheceu R$4.230 milhões de ágio e contabilizou vários ativos intangíveis da Aracruz (incluindo banco de dados, patentes, fornecedor de produtos químicos e relações com fornecedores de outros) com o valor justo de R$779 milhões na data de aquisição.

Nos termos do IFRS, o ágio e ativos intangíveis com vida útil indefinida não são amortizados, mas são testados quanto ao impairment anualmente ou mais frequentemente se um evento ou circunstância que indicar uma perda por impairment possa ter ocorrido. Outros ativos intangíveis com uma vida finita são amortizados numa base linear durante sua vida útil estimada e revisados para fins de impairment sempre que houver uma indicação. A Fibria anualmente efetua o seu teste de impairment das unidades geradoras de caixa (CGU), ao qual o ágio é alocado (Aracruz, Portocel e Veracel). Além disso, como exigido pela IAS 36, quando o valor contábil dos ativos líquidos da Companhia for superior à sua capitalização de mercado, uma análise formal de impairment de ativos de longa duração deve ser realizada.

Qualquer alteração no valor dos principais pressupostos utilizados nos testes de impairment resulta em dotações para imparidade no futuro, que podem ser significativas e ter um efeito adverso sobre os resultados operacionais e condição financeira da Companhia.

As condições da economia e da política brasileiras e a percepção dessas condições no mercado internacional impactam diretamente os negócios da Companhia e o acesso ao mercado de capitais e ao mercado de dívida internacional podem afetar adversamente os resultados de operações e condições financeiras da Companhia.

As operações da Companhia são conduzidas no Brasil, mas a maior parte da celulose produzida é vendida a clientes internacionais na Europa. Dessa forma, a situação financeira e os resultados operacionais da Companhia dependem, em parte, das condições econômicas do Brasil. Alguns pontos que causam preocupação são o custo do capital humano, o custo de propriedades (aluguel ou compra) e outras necessidades locais. Os desdobramentos futuros na economia brasileira poderão afetar as taxas de crescimento do Brasil e, consequentemente, esses produtos. Como resultado, esses desdobramentos podem prejudicar as estratégias comerciais, os resultados operacionais e/ou a situação financeira da Companhia. O governo brasileiro busca restringir condições incomuns de mercado, como os preços do fornecimento, especulações anormais e as taxas de câmbio, frequentemente intervindo na economia do país e, ocasionalmente, realiza mudanças significativas em suas políticas e regulamentações. Os negócios da Companhia, sua situação financeira e seus resultados operacionais poderão ser afetados negativamente por mudanças em políticas governamentais, bem como em fatores econômicos em geral, incluindo:

  • flutuações da moeda;
  • taxas de juros;
  • liquidez dos mercados domésticos de capitais e de empréstimos;
  • disponibilidade de mão de obra qualificada;
  • políticas que afetam a infraestrutura logística do Brasil;
  • política fiscal;
  • políticas de controle cambial;
  • outros desdobramentos políticos, diplomáticos, sociais e econômicos no Brasil ou que afetem o país; e
  • inflação.

Historicamente, o Brasil vivenciou altas taxas de inflação. A inflação, bem como os esforços do governo para combatê-la, teve efeitos negativos sobre a economia brasileira, principalmente antes de 1995. Os custos de produção e despesas operacionais da Companhia são substancialmente denominados em Reais e tendem a aumentar com a inflação brasileira, pois seus fornecedores e prestadores de serviços geralmente aumentam os preços para refletir a desvalorização da moeda. Caso a taxa de inflação aumente mais rapidamente que qualquer outra taxa de valorização do dólar norte-americano, as despesas operacionais da Companhia poderão aumentar, tendo em vista que são expressas em dólares norte-americanos. A inflação, as medidas para combatê-la e a especulação pública sobre possíveis medidas adicionais também poderão contribuir de maneira relevante para a incerteza econômica no Brasil e, dessa forma, enfraquecer a confiança do investidor no país, afetando, portanto, a capacidade da Companhia de acessar os mercados de capitais internacionais.

Historicamente, o cenário político do país tem influenciado o desempenho da economia brasileira e as crises políticas afetam a confiança dos investidores e do público em geral, o que resulta em desaceleração econômica e elevação da volatilidade de valores mobiliários emitidos por companhias brasileiras. Os desdobramentos nas políticas do governo brasileiro e/ou a incerteza a respeito de quando e se tais políticas e regulamentações poderão ser implementadas, fatores que estão fora do controle da Companhia, podem ter um efeito material adverso na Companhia.

Se a Companhia for incapaz de administrar os problemas e riscos relacionados a aquisições e alianças, seus negócios e perspectivas de crescimento podem ser afetados. Alguns dos concorrentes da Fibria podem estar melhor posicionados para adquirir outros negócios de celulose e papel.

A Companhia pode, como parte de sua estratégia comercial, adquirir outros negócios no Brasil, ou em outros países, ou firmar alianças. A administração da Fibria não consegue prever se ou quando ocorrerão quaisquer aquisições ou alianças em potencial, ou a probabilidade de conclusão de uma transação material em termos e condições favoráveis.

A capacidade da Companhia de continuar a ampliar seus negócios com êxito, por meio de aquisições ou alianças, depende de diversos fatores, incluindo sua habilidade de identificar aquisições e negociar, financiar e concluir transações. Mesmo se a Companhia concluir aquisições futuras, ela pode falhar em integrar, com êxito, as operações, serviços e produtos de qualquer sociedade adquirida. Caso a Companhia resolva negociar aquisições futuras, ela estará sujeita a certos riscos, dentre eles:

  • pode falhar ao selecionar os melhores sócios ou ao planejar e administrar qualquer estratégia de aliança de modo eficaz;
  • as aquisições podem aumentar seus gastos;
  • a atenção da administração pode ser desviada de outras preocupações do negócio; e
  • pode perder os principais funcionários da empresa adquirida.

Uma falha ao integrar novos negócios, ou administrar novas alianças com êxito, pode afetar adversamente o desempenho comercial e financeiro da Companhia. Além disso, o setor mundial de celulose e papel está passando por um momento de consolidação e muitas empresas competem por oportunidades de aquisições e alianças neste setor. Alguns dos concorrentes da Companhia têm mais recursos, dentre eles financeiros, que a Fibria. Isto pode reduzir a probabilidade de sucesso da Companhia ao concluir aquisições e alianças necessárias à ampliação de seu negócio. Além disso, qualquer grande aquisição pode estar sujeita a aprovações regulatórias. A Companhia pode não ter sucesso ao obter as aprovações regulamentares necessárias a tempo ou pode não obtê-las.

A cobertura de seguro da Companhia pode ser insuficiente para cobrir suas perdas.

O seguro da Companhia pode ser insuficiente para cobrir as perdas em que ela possa incorrer.

A Fibria tem seguros para cobrir danos causados em suas instalações por incêndio, responsabilidade de terceiros em geral por acidentes, riscos operacionais e de transporte internacional e doméstico. A Companhia não mantém cobertura de seguros contra todos os riscos relacionados às suas florestas, tais como os causados pela seca, por incêndio, por pestes e por pragas. A ocorrência de perdas ou outros danos não cobertos pelo seguro, ou que excedam os limites do seguro, pode resultar em custos adicionais inesperados e reduzir a disponibilidade de madeira para a Companhia.

A Companhia pode estar sujeita a reinvindicações trabalhistas eventuais que podem causar efeitos adversos.

A maioria dos funcionários da Companhia é representada por sindicatos ou órgãos equivalentes e está coberta por acordos coletivos ou similares, que estão sujeitos a renegociação periódica. Entretanto, é possível que a Companhia não consiga concluir com êxito suas negociações trabalhistas em termos satisfatórios, o que poderá resultar em aumento significativo no custo de mão de obra ou em paralisações ou transtornos de trabalho, atrapalhando suas operações. Quaisquer referidos aumentos nos custos, paralisações do trabalho ou transtornos podem afetar a Companhia de forma substancial e negativa.

A relativa volatilidade e a falta de liquidez do mercado de capitais brasileiro poderão afetar negativamente os acionistas da Companhia.

O investimento em valores mobiliários negociados em mercados emergentes, tal como o Brasil, envolve, com frequência, maior risco em comparação a outros mercados mais desenvolvidos. O mercado brasileiro de valores mobiliários é consideravelmente menor, menos líquido, mais volátil e mais concentrado do que os principais mercados de valores mobiliários mundiais. Essas características do mercado de capitais brasileiro poderão limitar consideravelmente a capacidade do investidor de vender as ações de emissão da Companhia ao preço e momento desejados, o que pode ter um efeito adverso relevante sobre a cotação das suas ações.

2 – Relacionados ao seu controlador, direto ou indireto, ou grupo de controle

Os acionistas controladores assinaram um acordo de acionistas, que regula o exercício de poder de controle da Companhia.

A Companhia é controlada por Votorantim S.A., atual denominação da Votorantim Industrial S.A. (“Votorantim”) e BNDES Participações S.A. (“BNDESPar”). Os acionistas controladores assinaram o Primeiro Aditivo ao Acordo de Acionistas, datado de 29 de outubro de 2014, no qual regulam o poder de controle, incluindo o poder de:

  • eleger os membros do conselho de administração; e
  • determinar o resultado de qualquer ato que exija aprovação de acionistas, incluindo transações com partes relacionadas, reorganizações corporativas e alienações, além do prazo e do pagamento de quaisquer dividendos futuros.

Nos termos do Primeiro Aditivo ao Acordo de Acionistas da Companhia, a aprovação de certas matérias depende do voto afirmativo da BNDESPar.

Além disso, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES é credor de parte importante do endividamento da Companhia e, ainda, há expectativa de a Companhia continuar obtendo empréstimos do BNDES futuramente. Como um dos acionistas mais importantes e subsidiária de um dos credores mais importantes (BNDES), a BNDESPar pode exercer influência sobre o negócio e decisões corporativas e suas ações podem ser influenciadas pelas políticas do governo federal do Brasil, o que pode conflitar com o interesse dos demais acionistas.

Atualmente, a Companhia participa de transações comerciais e financeiras, periodicamente, com os seus acionistas controladores e respectivas afiliadas. As transações financeiras e comerciais entre a Companhia e suas afiliadas têm potencial para gerar ou podem resultar em relações em que haja conflitos de interesses.

3 – Relacionados aos seus acionistas

A Companhia não vislumbra riscos incorridos pela Companhia em decorrência de seus acionistas e que possam influenciar a decisão de investimento.

4 – Relacionados às suas controladas e coligadas

Determinadas operações são conduzidas por intermédio de joint ventures.

Em outubro de 2000, a Aracruz Celulose S.A. (posteriormente incorporada pela Votorantim Celulose e Papel S.A.) adquiriu uma participação de 45% no capital social da Veracel Celulose S.A., um empreendimento conjunto com a StoraEnso OYJ (“StoraEnso”), que opera planta de celulose e florestas no sul do Estado da Bahia.

Em janeiro de 2003, a Companhia aumentou sua participação acionária na Veracel para 50%, ficando o quadro acionário da sociedade detido 50% pela Companhia e 50% pela StoraEnso.

A Fibria, como sucessora legal da Aracruz, é parte em um acordo de acionistas com a StoraEnso, regulamentando o relacionamento das acionistas no que se refere à Veracel, lhes permitindo a nomeação de um número igual de membros do Conselho de Administração de referida sociedade.

Nos termos desse acordo de acionistas, cada parte pode ser chamada a fazer contribuições de capital e, se qualquer uma das partes não cumprir com as obrigações acordadas com relação às necessidades de financiamento ou plano pré-acordado de aporte de capital e investimento da Veracel, o acionista solicitante terá o direito de exigir a transferência da participação acionária do acionista inadimplente a ele, a valor de mercado descontado.

Tendo em vista o controle compartilhado da Veracel, a Companhia não consegue tomar certas decisões relevantes envolvendo essa empresa de maneira unilateral. Além disso, o Acordo de Acionistas em questão pode restringir a capacidade da Companhia em realizar atos em seu interesse, ou prevenir que ações prejudiciais a seus interesses sejam tomadas.

A Fibria possui também uma participação de 51% em Portocel - Terminal Especializado de Barra do Riacho S.A. (a empresa é o único porto no Brasil especializado em transporte de celulose), em conjunto com a Cenibra - Celulose Nipo-Brasileira ("Cenibra"), que detém os restantes 49% da participação em Portocel. Embora a Fibria possua o controle majoritário da Portocel, ela é parte de um acordo de acionistas com a Cenibra, que regula a relação entre os acionistas. Tal acordo estabelece que as principais decisões relativas à Portocel devem ser feitas por unanimidade dos seus acionistas. Dessa forma, a Companhia não consegue tomar certas decisões relevantes envolvendo essa empresa de maneira unilateral.

5 – Relacionados aos seus fornecedores

A Companhia depende do fornecimento de insumos, matérias primas e serviços para a produção de celulose

O mercado de celulose é atendido por diversos fornecedores nacionais e estrangeiros. Muitos fatores influenciam a posição competitiva da Companhia, incluindo a eficiência da planta, os índices operacionais e a disponibilidade, qualidade e o custo de certos insumos, como substâncias químicas, matérias primas e serviços. A disponibilidade, qualidade ou custos de tais fatores podem afetar, de forma negativa, o desempenho operacional e financeiro da Companhia.

6 – Relacionados aos seus clientes

A perda de certos clientes ou a perda da capacidade desses clientes pagarem a Companhia poderia causar um impacto significativo sobre o resultado das operações, fluxo de caixa e situação financeira da Companhia.

Os três maiores clientes da Fibria representam aproximadamente 50% da sua receita líquida. Embora tais vendas se baseiem em contratos de longo prazo, se a Companhia não for capaz de substituir os volumes de vendas representados por qualquer um destes clientes importantes, a perda de qualquer um deles poderia ter um efeito material adverso sobre seus resultados operacionais, fluxos de caixa e situação financeira.

Como parte do relacionamento com seus clientes, a Companhia concede crédito de acordo com a avaliação da capacidade de pagamento de cada um destes clientes. Caso haja deterioração na capacidade de pagamento por parte dos clientes, em que o risco de crédito não esteja coberto por seguro de crédito mercantil ou outros reforços, como letras de crédito, incluindo alterações no ambiente econômico, político ou regulatório em que os clientes da Companhia se encontram, a capacidade de honrar com suas obrigações pode ser afetada negativamente. Caso um número significativo de clientes relevantes da Companhia perca sua capacidade de pagamento, os resultados da Companhia, incluindo fluxo de caixa, podem ser substancialmente afetados.

Atrasos na expansão das unidades ou na construção de novas unidades da Companhia poderão afetar seus custos e resultados operacionais.

Como parte da estratégia da Companhia para aumentar sua participação no mercado internacional e melhorar sua competitividade por meio de maiores economias de escala, a Companhia poderá expandir suas unidades de produção existentes ou construir outras. A expansão ou construção de uma instalação de produção envolve vários riscos. Dentre eles se incluem os riscos de engenharia, construção, regulatórios, integração da operação existente com a nova operação e outros desafios significativos que poderão atrasar ou impedir a operação bem-sucedida do projeto ou aumentar significativamente seus custos. A capacidade da Companhia de concluir com sucesso qualquer projeto de expansão ou nova construção tempestivamente também está sujeita a riscos de financiamento e outros.

A Companhia poderá ser afetada negativamente porque:

  • poderá não conseguir concluir nenhum projeto de expansão ou nova construção tempestivamente ou dentro do orçamento, ou ser obrigada a, devido às condições do mercado ou outros fatores, atrasar o início da construção ou o cronograma para concluir novos projetos ou expansões;
  • as instalações novas ou modificadas poderão não operar na capacidade projetada ou poderão custar mais que esperado para operar;
  • poderá não conseguir vender sua produção adicional a preços atrativos;
  • poderá não ter os fundos ou conseguir adquirir financiamento para implementar seus planos de crescimento; e
  • poderá sofrer impactos negativos sobre as plantas existentes, que podem resultar em instabilidades operacionais.

7 – Relacionados aos setores da economia nos quais a Fibria atua

Os preços de mercado dos produtos da Companhia são cíclicos.

Os preços que a Companhia consegue obter para seus produtos dependem dos preços mundiais do mercado de celulose. Os preços mundiais de celulose são historicamente cíclicos e sujeitos a oscilações significativas em curtos períodos de tempo, dependendo de diversos fatores, incluindo:

  • demanda mundial por produtos de celulose;
  • capacidade de produção e estoques mundiais;
  • estratégias adotadas pelos principais produtores de celulose; e
  • disponibilidade de substitutos aos produtos de celulose.

Todos estes fatores estão além do controle da Companhia.

Flutuações de preços ocorrem não só de ano para ano, mas também ao longo do ano como resultado das condições da economia global e regional, restrições de capacidade, aberturas e fechamentos de plantas, a oferta e a demanda de matérias-primas e produtos acabados, entre outros fatores.

Descontos são frequentemente concedidos pelos vendedores para compradores relevantes. Embora a Companhia tenha relacionamento de longo prazo com muitos dos seus clientes, nenhuma garantia pode ser dada de que os preços da celulose vão se estabilizar, se diminuirão ainda mais no futuro, ou que a demanda por seus produtos não vai diminuir no futuro. Como resultado, não se pode assegurar que a Companhia será capaz de operar a produção de forma rentável no futuro. Uma queda significativa no preço de um ou mais dos produtos da Companhia poderia ter um efeito material adverso sobre sua receita operacional líquida, lucro operacional e lucro líquido.

A Companhia enfrenta concorrência significativa em alguns de seus negócios, o que pode afetar de modo adverso sua participação no mercado e lucratividade.

A indústria de celulose é extremamente competitiva. No mercado mundial de celulose, alguns dos concorrentes da Companhia podem ter maior poder financeiro e acesso a recursos de capital mais baratos e, consequentemente, de oferecer suportes aos custos estratégicos direcionados ao aumento da participação no mercado. A participação da Companhia no mercado pode ser afetada de modo adverso se ela for incapaz de continuar a ampliar sua capacidade de produção com êxito no mesmo ritmo de seus concorrentes. Além disso, a maioria dos mercados de celulose é atendida por diversos fornecedores, frequentemente de países diferentes.

A posição competitiva da Companhia é influenciada por diversos fatores, incluindo a eficiência das plantas, desempenho operacional e a disponibilidade, qualidade e custo da madeira, energia, água, insumos químicos, logística e trabalho e as oscilações da taxa de câmbio. Assim, conforme mencionado, alguns dos concorrentes da Companhia podem ter mais recursos financeiros e de marketing e maior amplitude de ofertas de produtos que a Fibria. Se a Companhia for incapaz de permanecer competitiva com estes produtores, no futuro, sua participação no mercado pode ser afetada de modo adverso. Além disso, a pressão sobre os preços de celulose pelos concorrentes pode afetar a rentabilidade da Companhia.

Crises globais e arrefecimentos econômicos subsequentes, como os que ocorreram durante 2008 e 2009, podem ter efeitos adversos sobre a demanda global de celulose. Como resultado, a condição financeira e os resultados operacionais da Companhia podem ser afetados adversamente.

A demanda por produtos de celulose da Companhia está atrelada diretamente à atividade econômica geral nos mercados internacionais em que vende seus produtos

Uma redução contínua no nível de atividade nos mercados doméstico ou internacional em que operamos pode afetar negativamente a demanda e o preço dos seus produtos e ter um efeito negativo substancial sobre a Companhia

A deterioração das condições econômicas do Brasil e globais pode, entre outras coisas:

  • afetar negativamente, ainda mais, a demanda global por papel, reduzindo investimentos em novas instalações de produção de papel e/ou levando ao fechamento de indústrias de papel, o que pode impactar diretamente o consumo de celulose ou reduzir ainda mais os preços de mercado dos produtos da Companhia, o que pode resultar em uma redução contínua de sua receita, seus lucros operacionais e seus fluxos de caixa;
  • dificultar ou encarecer para a Companhia a obtenção de financiamento para suas operações ou investimentos ou o refinanciamento de sua dívida no futuro;
  • prejudicar a situação financeira de alguns dos clientes, fornecedores ou contrapartes de instrumentos derivativos da Companhia, aumentando, dessa forma, a inadimplência de clientes ou o não cumprimento por parte de fornecedores ou contrapartes;
  • reduzir o valor de alguns dos investimentos da Companhia; e
  • prejudicar a viabilidade financeira das seguradoras da Companhia.

A concorrência por terra para utilização como florestas de eucalipto ou outras culturas, como soja, cana de açúcar e outras commodities, pode afetar a ampliação da Companhia.

A grande demanda global por certas commodities, principalmente grãos e biocombustível, pode causar impactos sobre as operações florestais da Companhia de duas maneiras:

  • a maior concorrência por terra pode causar impacto sobre seu preço. Geralmente, a produção de grãos e biocombustível é economicamente superior às atividades florestais e, consequentemente, os aumentos potenciais dos valores da terra podem inibir a ampliação da base florestal; e
  • pela mesma razão descrita acima, a Companhia pode enfrentar dificuldades ao convencer terceiros a começar ou a ampliar a produção de eucalipto para utilização no mercado de celulose.

8 – Relacionados à regulação dos setores em que a Fibria atua

A Companhia pode ser afetada adversamente pela imposição e aplicação de regulamentos ambientais mais rígidos que exigiriam o dispêndio de fundos adicionais. Além disso, o descumprimento de leis, regulamentos e autorizações ambientais poderia resultar em penalidades que poderiam afetar adversamente e de forma significativa os resultados das nossas operações e a nossa situação financeira.

A regulamentação ambiental brasileira aplicável a ativos florestais e atividades produtivas é complexa porque envolve regulamentos federais, estaduais e municipais que acarretam exigências e restrições distintas para cada localidade onde a Companhia atua. Nesse contexto, a Companhia poderá ser obrigada, dentre outras exigências, a obter licenças específicas emitidas por autoridades governamentais. As exigências das leis e regulamentos que tratam dessas licenças podem aumentar o custo operacional a fim de limitar ou compensar impactos ou potenciais impactos ao meio ambiente e/ou à saúde dos funcionários da Companhia.

Além disso, o descumprimento dessas leis, regulamentos e autorizações poderia resultar em sanções administrativas, civis e/ou penais para a Companhia e para os seus administradores e funcionários. As penalidades administrativas e criminais impostas contra aqueles que violarem a legislação ambiental serão aplicadas independentemente da obrigação de reparar eventual dano causado ao meio ambiente. Na esfera civil, todos aqueles que comprovadamente concorrerem para o dano poderão ser responsabilizados pela sua reparação, o que pode ocasionar custos substanciais para a Companhia. Como consequência, quando a Companhia contrata terceiros para realizar qualquer intervenção nas suas operações, como a disposição final de resíduos, pode ser responsabilizada por eventuais danos ambientais causados por estes terceiros contratados.

As infrações administrativas podem resultar em multas elevadas, interrupção de atividades, suspensão das licenças de operação e/ou imposição de restrição de direitos (p.ex. impossibilidade de contratar com órgãos públicos, restrições a linhas de crédito, entre outras), além de sanções penais à Companhia.

O descumprimento dessas leis, regulamentos e autorizações também poderia acarretar na perda das certificações de manejo florestal da companhia – Forest Stewardship Council® (FSC®) e Cerflor/Programme for the Endorsement of Forest Certification (PEFC) – e da certificação de sistema de gestão ambiental – ISO 14001 – causando restrições na exportação da celulose.

Além disso, as leis e regulamentos ambientais, em certos países, podem ser mais rígidos que as leis e regulamentos do Brasil, o que pode levar estes países a impor restrições relacionadas ao comércio para o Brasil ou ao setor da Companhia.

Ademais, uma eventual incapacidade da Companhia de cumprir leis e regulamentos ambientais internacionais mais rígidos poderia impedi-la de buscar financiamentos de menor custo em organizações ligadas a governos estrangeiros ou organizações multilaterais de desenvolvimento, o que pode condicionar futuros financiamentos ao cumprimento, pela Companhia, de leis e regulamentos ambientais mais rígidos.

As ações do poder legislativo federal ou estadual ou de autoridades de segurança pública podem afetar adversamente as operações da Companhia.

No passado, o Estado do Espírito Santo, onde estão as operações da Fibria através de sua unidade Aracruz, aprovou leis, posteriormente revogadas, voltadas a restringir a plantação de florestas de eucalipto para a produção de celulose. Embora tenha sido obtida medida liminar contra estas leis estaduais, e embora a nova legislação estadual as tenha revogado, não há garantias de que leis similares não serão decretadas no futuro, o que representaria limitações ou restrições sobre a plantação de eucalipto na região em que a Companhia opera.

Alterações nas leis fiscais brasileiras podem causar impactos adversos sobre os impostos aplicáveis aos negócios da Companhia.

O governo brasileiro, frequentemente, implementa alterações aos regimes fiscais que podem afetar a Companhia e seus clientes. Essas alterações incluem alterações nas alíquotas de imposto e, ocasionalmente, a aprovação de tributos temporários, cujas receitas são destinadas a fins governamentais previamente designados.

Algumas destas alterações podem resultar em aumento no pagamento de impostos, o que pode afetar adversamente a lucratividade do setor, aumentar os preços dos produtos da Companhia, restringir sua capacidade de fazer negócios nos mercados-alvo e nos mercados em que já atua, e prejudicar seus resultados financeiros. Não há garantias de que a Companhia conseguirá manter o fluxo de caixa e lucratividade planejados após quaisquer aumentos nos impostos aplicáveis à Companhia e às suas operações.

A Companhia pode ser afetada por ações governamentais que atinjam os mercados e a economia brasileira.

O governo brasileiro exerceu e continua a exercer uma influência relevante sobre diversos aspectos do setor privado. Ele, por exemplo, pode impor restrições ao mercado de exportações, criando impostos de exportações sobre qualquer produto, incluindo a principal fonte de receitas da Companhia (celulose de mercado), afetando assim as margens e a lucratividade das empresas de exportação. Além disso, o governo brasileiro, através do BNDES, possui ou controla diversas empresas, incluindo algumas das maiores do Brasil. Por exemplo, o BNDES, através de sua subsidiária integral, a BNDESPar, é um dos acionistas signatários do Acordo de Acionistas junto com a Votorantim e, historicamente, o BNDES tem sido um dos credores mais importantes da Companhia.

A Companhia está sujeita a riscos regulatórios associados às suas operações internacionais.

A Fibria está sujeita a leis e regulamentações regionais, locais e internacionais em áreas tão distintas como segurança de produtos, vícios e defeitos de produtos, marcas registradas e patentes, concorrência, saúde e segurança de funcionários, meio ambiente, governança corporativa, listagem e divulgações, emprego e impostos.

O descumprimento dessas leis e regulamentações poderia expor a Fibria a ações cíveis e/ou criminais, levando a indenizações, multas e sanções criminais contra a Companhia e/ou seus funcionários, com possíveis consequências à sua reputação corporativa.

9 – Relacionados aos países estrangeiros onde a Fibria atua

As situações econômicas e de mercado de outros países, inclusive de países em desenvolvimento, podem afetar material e adversamente a economia brasileira e, portanto, o valor de mercado das ações da Companhia.

O mercado de títulos e valores mobiliários emitidos pelas empresas brasileiras é influenciado pelas condições econômicas e de mercado do Brasil e, em graus variáveis, pelas condições do mercado de outros países, incluindo países da América Latina e países em desenvolvimento. Embora a situação econômica seja diferente em cada país, a reação dos investidores a acontecimentos em um país pode causar oscilação nos mercados de capital de outros países. A situação econômica em outros países, incluindo países em desenvolvimento, tem afetado significativamente a disponibilidade de crédito na economia brasileira e resultou no escoamento considerável de fundos, reduções da quantidade de moeda estrangeira investida, no Brasil, e no acesso limitado aos mercados de capital internacionais, resultados que podem afetar material e adversamente a habilidade da Companhia de tomar empréstimos de fundos a uma taxa de juros aceitável ou de aumentar o capital social, se houver necessidade. A volatilidade dos preços de mercado dos títulos e valores mobiliários brasileiros tem aumentado, periodicamente, e a percepção dos investidores a respeito do aumento dos riscos em virtude das crises em outros países, inclusive em países em desenvolvimento, também, podem levar a uma redução do preço de mercado das ações da Companhia.

As exportações da Companhia a expõe a riscos políticos e econômicos em países estrangeiros

As exportações da Companhia representaram aproximadamente 90% de sua receita consolidada. As exportações, principalmente para Europa, América do Norte e Ásia, expõem a Companhia a riscos não enfrentados pelas empresas que se limitam a operar apenas no Brasil, ou em um único país. Por exemplo, as exportações podem ser afetadas por restrições e tarifas de importação, outras medidas de proteção ao comércio e requisitos de licenciamento de importação ou exportação.

Adicionalmente, o segmento internacional de celulose é altamente competitivo. Alguns dos concorrentes da Companhia podem ter maior força financeira e acesso a fontes de capital mais baratas, e, consequentemente, a capacidade de sustentar despesas de investimento estratégicas destinados a aumentar sua participação de mercado.

O desempenho financeiro futuro da Companhia dependerá significativamente das condições econômicas, políticas e sociais de seus principais mercados de exportação. Outros riscos associados às atividades internacionais da Fibria incluem:

  • flutuações significativas na demanda mundial de celulose, que podem resultar na redução de vendas, lucros operacionais e fluxos de caixa da Companhia;
  • a entrada de novos produtores de celulose ou fusões e aquisições entre produtores existentes, que poderiam limitar sua competitividade no mercado;
  • a incapacidade de continuar a expandir com sucesso sua capacidade de produção no mesmo ritmo do de seus concorrentes poderia afetar negativamente a sua participação de mercado;
  • a deterioração das condições econômicas globais poderia prejudicar a situação financeira de alguns de seus clientes, fornecedores ou contrapartes de seus instrumentos derivativos, aumentando, dessa forma, a inadimplência de clientes ou o não cumprimento por parte de fornecedores ou contrapartes;
  • a pressão sobre os preços da celulose pode afetar a sua lucratividade;
  • variações nas taxas de câmbio (envolvendo dólar norte-americano) e inflação nos países estrangeiros em que opera;
  • controles de câmbio e comércio internacional;
  • alterações nas condições econômicas de um país ou regiões específicas;
  • uma crise nos mercados financeiros e a ameaça de uma desaceleração econômica global;
  • diferenças culturais, resultando em práticas comerciais distintas;
  • consequências adversas derivadas de alterações em exigências regulatórias, incluindo leis e regulamentos ambientais e exigências de Certificações;
  • dificuldades e custos associados ao cumprimento e à execução de recursos em uma ampla variedade de leis, tratados e regulamentos internacionais complexos;
  • consequências adversas decorrentes de alterações em leis tributárias; e
  • custos de logística, interrupções em embarques ou disponibilidade reduzida de transporte fretado.

Apesar de a Companhia tentar administrar alguns desses riscos por meio da utilização de programas de gestão de riscos, estes não podem ser totalmente eliminados. A ocorrência de qualquer um destes eventos pode causar impactos negativos sobre a capacidade da Companhia de realizar negócios em certos mercados existentes ou em desenvolvimento.

A importância da China no mercado global de celulose cresceu nos últimos anos, impulsionada pelo crescente consumo doméstico. Desdobramentos econômicos negativos na China poderiam ter um impacto negativo sobre as exportações, afetando adversamente a receita de caixa, fluxo e rentabilidade da Companhia.

De acordo com as estatísticas do mercado (PPPC), a demanda chinesa representa em torno de um terço da demanda mundial do mercado de celulose, fruto de investimentos em máquinas para produção de papel e papelão na China, o que têm impulsionado a demanda por celulose naquele país; entretanto, a volatilidade da demanda chinesa em razão da movimentação de compra especulativa pode impactar previsões de demanda no curto prazo.

10 – Relacionados a questões socioambientais

Movimentos sociais e a possibilidade de expropriação podem afetar o uso normal, danificar ou privar a Companhia do uso ou valor justo de suas propriedades.

Diversos grupos ativistas no Brasil defendem a reforma agrária e redistribuição de terras através da invasão e ocupação de áreas rurais. A Companhia não pode assegurar que suas propriedades não estarão sujeitas a invasões ou ocupação por estes grupos. Uma invasão ou ocupação de terra pode prejudicar o uso normal das terras da Companhia ou ter um impacto adverso nos resultados de suas operações, condições financeiras e no valor de suas ações.

Além disso, as terras da Companhia podem estar sujeitas a desapropriação pelo governo brasileiro. Segundo a legislação brasileira, o governo federal pode desapropriar terra que não está em conformidade com sua "função social", incluindo exploração racional e adequada da terra, utilização adequada dos recursos naturais, preservação do meio ambiente, o cumprimento das leis trabalhistas, etc. Se o governo brasileiro desapropriar qualquer das propriedades da Companhia, os resultados das operações da Companhia podem ser adversamente afetados na medida em que a compensação do governo se mostre insuficiente. Além disso, a Companhia poderá ser forçada a aceitar títulos da dívida pública, que têm liquidez limitada, em vez de dinheiro como pagamento pelas terras desapropriadas.

A falta de energia e racionamento de energia podem afetar adversamente o negócio da Companhia e os resultados de suas operações.

A maior fonte de energia da indústria brasileira consiste em energia hidrelétrica. O baixo nível de investimentos e a precipitação abaixo dos níveis habituais no passado resultaram em baixo nível dos reservatórios e capacidade hidrelétrica crítica no Sudeste, Centro-Oeste e demais regiões do Brasil. Fontes alternativas de geração de energia têm frequentemente sido adiadas devido a questões regulatórias, dentre outras. No período de 2000 a 2001, por exemplo, o governo brasileiro instituiu um racionamento e um programa de redução de consumo com o propósito de reduzir o consumo de energia de meados de 2001 até o início de 2002. O referido programa fixou limites de consumo de energia para consumidores da indústria, comércio e residencial.

Do valor total da energia térmica e elétrica gerada internamente pela Companhia, 90% são de combustíveis renováveis, tais como biomassa e licor negro, os quais são subprodutos do processo de produção de celulose, e 10% provieram de combustíveis não renováveis que foram comprados pela Companhia, tais como óleo combustível e gás natural. Caso o Brasil venha a sofrer falta de energia (quer em função das condições das hidrelétricas, das limitações de infraestrutura ou de outra forma), políticas similares ou outras políticas podem vir a ser instituídas para limitar ou racionar a utilização de energia elétrica. Ainda que a Companhia acredite estar adequadamente preparada com relação ao fornecimento de energia, uma vez que é autossuficiente e ainda vende a energia elétrica sobressalente para o sistema de abastecimento brasileiro, as vendas da Companhia podem ser adversamente afetadas pelos efeitos negativos que a falta de energia elétrica pode ter no cenário macroeconômico. Além disso, a Companhia também pode vir a ser adversamente afetada pelo impacto da falta de energia nas atividades dos seus principais fornecedores de matéria prima. Qualquer referida falta de energia ou racionamento aplicável podem vir a ter um efeito adverso relevante nos negócios e resultados operacionais da Companhia.

Seca em algumas regiões do Brasil, resultando em escassez de água e racionamento relacionado, podem afetar adversamente os negócios e resultados operacionais da Companhia. Outros impactos sobre o abastecimento de água, tais como os problemas ambientais e as restrições regulatórias, podem afetar adversamente os negócios e resultado das operações da Companhia.

Algumas regiões do Brasil têm experimentado condições de seca, resultando em escassez de água e na implementação de políticas de racionamento de água. Apesar de acreditarmos que as nossas operações não serão afetadas por essas condições, algumas de nossas unidades estão localizadas em áreas que têm sido afetadas com a escassez de água. Embora nossas unidades já sejam muito eficientes no uso de água, a Companhia continua a melhorar a eficiência das unidades no consumo de água e tem definido um plano de contingência para todas as possíveis unidades afetadas, se necessário. No entanto, não podemos garantir que secas severas ou medidas governamentais de mitigação de escassez de água não afetarão as operações das unidades, com consequente efeito adverso sobre seus negócios e resultados operacionais.

Outros impactos sobre o abastecimento de água, tais como a catástrofe ambiental que afetou o Rio Doce em 2015, ou ações regulatórias para limitar o acesso à água, podem ter um efeito significativo e adverso sobre nossas operações de negócios. Por exemplo, como consequência de rejeitos de minas contaminando o Rio Doce em 2015, a nossa unidade Aracruz foi obrigada a suspender o seu uso de água daquele rio para as suas operações por um curto período de tempo. Nenhum impacto foi registrado, no entanto, porque a Unidade Aracruz tem um reservatório suficiente para sustentá-la por até cinco meses, o que tinha no momento do acidente, pelo menos, 90 dias de abastecimento de água. No entanto, nenhuma garantia pode ser dada de que eventos ambientais futuros ou disposições regulamentares nacionais não afetarão adversamente o acesso à água suficiente para as nossas operações.

Novas leis e regulamentos relacionados a mudanças climáticas e alterações na regulamentação existente, bem como os efeitos físicos das mudanças no clima, podem resultar em um aumento de obrigações e investimentos de capital, o que poderia ter um efeito adverso sobre a Companhia.

Em 1997, uma conferência internacional sobre o aquecimento global terminou com um acordo conhecido como Protocolo de Kyoto, que tem sido a base para uma série de propostas e regulações internacionais, nacionais e subnacionais cujo foco está na redução dos gases estufa, baseado em responsabilidade histórica. Em 2009, o Brasil, entre outros países, adotou metas voluntárias. Assim, o Brasil se comprometeu em reduzir as suas emissões abaixo dos níveis projetados para 2020 e em definir metas domésticas para restrições de desmatamento nas regiões da Amazônia e do Cerrado. Em dezembro de 2015, países assinaram novo acordo global, o Acordo de Paris, adotando a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDCs) como modo de reduzir as suas respectivas emissões depois de 2020. A Pretendida Contribuição Nacionalmente Determinada do Brasil estipula o aumento do biodiesel e outras fontes renováveis na matriz energética nacional, eliminação do desmatamento ilegal, reflorestamento e restauração de florestas, e melhorias na gestão de florestas nativas. Nesse contexto, a Fibria vem reconhecendo o risco de novas leis e regulamentos relacionados às mudanças climáticas e mudanças na regulamentação existente, monitorando as iniciativas regulatórias internacionais e locais. A Companhia participou dos debates da COP21 em Paris, como empresa do setor florestal e membro da IBÁ, do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) e da Coalizão de Clima, Florestas e Agricultura do Brasil. A Fibria deseja incluir as florestas como uma solução econômica, ambiental e social viável para a fixação de carbono, que está alinhada com o NDC brasileiro.

Ainda que a Companhia não possa prever se ou quando uma legislação futura de controle do clima ou iniciativas regulatórias, internacionais ou locais, serão adotadas, a Companhia tem reconhecido esses riscos e o cenário do Acordo de Paris não os alterou substancialmente. A Fibria espera um aumento na regulação relacionada aos gases de efeito estufa e à mudança de clima, o que pode vir a afetá-la materialmente, seja diretamente, por meio do aumento das despesas de capital e no investimento para cumprir com tais regulações, ou indiretamente, por afetar os preços de transporte, energia e outros insumos. Além disso, os efeitos físicos das mudanças climáticas também podem afetar materialmente e adversamente suas operações, por exemplo, alterando a temperatura do ar e os níveis de água, e sujeitando a Companhia a riscos incomuns ou diferentes relacionados ao tempo. As novas leis e regulamentos relacionados às mudanças climáticas, mudanças nos regulamentos existentes e os efeitos físicos das mudanças climáticas poderiam resultar no aumento do passivo e investimento de capital, os quais poderiam ter um efeito material adverso sobre os negócios e os resultados das operações da Companhia.

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